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Coluna do Sposito: Treine melhor usando Periodização


Por Carlos Sposito | 06/07/2007 - Atualizada às 15:43

Gráfico sobre Periodização
Gráfico sobre Periodização
Foto: Reprodução
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Na Grécia Antiga, o treinamento desportivo dos atletas seguia o modelo das “tetras”, que representavam três dias de atividade física e um dia de descanso. Desta maneira, iniciou-se a idéia de “periodizar” o treinamento tentando aumentar a performance física do atleta.

Muitos séculos se passaram e, na década de 1960, alguns fisiologistas soviéticos foram incumbidos de estudar a melhor forma de preparar os atletas para os confrontos que passaram a acontecer amiúde, durante a época da Guerra Fria. Estava iniciando a incrível disputa que os mais velhos assistimos, torcendo sempre pela vitória do “mundo livre”. Em todas as disputas esportivas internacionais, principalmente nas Olimpíadas, os Estados Unidos e a União Soviética tentavam demonstrar, através do esporte, a superioridade de cada sistema político-econômico, seja o capitalismo, seja o comunismo.

Estudando a SAG (Síndrome da Adaptação Geral), que olharemos em detalhes em um futuro artigo, o fisiologista soviético Matveev fez experiências do tipo “tentativa e erro”, aplicando cargas crescentes nos atletas por dois ou três dias, seguidas de um dia de cargas menos intensas. Isto permitia uma recuperação metabólica suficiente para não ocorrer o famigerado overtraining (sobretreinamento), que leva o atleta à estafa e à interrupção do treinamento.

Quando eu digo “tentativa e erro”, é exatamente isto que estou querendo dizer, literalmente. Conta uma “lenda urbana” da Fisiologia do Exercício que, com a carta branca dada pela alta cúpula soviética, Matveev fez suas experiências científicas usando populações de jovens praticantes de atividades físicas, moradores de cidades pequenas da União Soviética. Cada tentativa de modelo de periodização era experimentada nas escolas esportivas de uma certa cidade.

Com o passar dos meses, analisava-se estatisticamente os resultados alcançados pelos alunos. Caso ocorresse uma melhora de performance, aquele modelo era estudado com mais detalhamento (talvez, aplicando as novas alterações em outras cidades ainda não usadas nas experiências). Caso contrário, quando uma cidade mostrava um excesso de atletas com overtraining, Matveev voltava “à sua velha prancheta” e estudava aquele modelo a partir de um novo ângulo. Assim, após muitas “quebradeiras” de atletas, ele e sua equipe chegaram ao que hoje conhecemos como modelo de “Periodização Clássica”.

Mais tendências - Depois disto, outros fisiologistas estudaram e definiram seus próprios modelos de periodização (porém, sem a “facilidade” que Matveev teve para experimentar...). Entre os mais famosos e utilizados modelos, encontramos a Periodização em Blocos de Verkoshanski, a Periodização ATR de Valdivielso, a Modular de Vorobiev, a Multicíclica de Platonov, a de Altas Cargas de Tschiene, a Pendular de Arosiev e a Prioritária de Bompa, entre outras. Aqui no Brasil, encontramos modernamente a Periodização de Macrociclo de Meeting do Prof. Dr. Estélio Dantas.

Pois bem. Mas pra quê essa conversa científica toda? Simplesmente, para te dar uma idéia global do que falaremos agora!

Carlos Sposito


Colunista do Webventure, preparador físico e atleta de aventuras e desafios, treina atletas e iniciantes sedentários no Brasil inteiro, por meio de planilhas personalizadas enviadas via e-mail. Foi o primeiro brasileiro a correr a pé a Marathon des Sables no Deserto do Sahara, a cruzar correndo o Grand Canyon, a correr no Deserto de Mojave, a dar a volta a pé correndo “non stop” na Ilha Grande e dar a volta a pé correndo “non stop” na Floresta da Tijuca. Veja mais em www.sposito.com.br

Especialista em Fisiologia do Exercício pela UGF/RJ, Sposito foi obrigado a dar um tempo nos desafios por culpa do mestrado em Engenharia Biomédica que está cursando na COPPE/UFRJ.

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