Helena Deyama, em choque, diz que explosão do carro é pesadelo inexplicável


Por Lilian El Maerrawi | 01/07/2009 - Atualizada às 11:14

Helena e Jose não acreditam no acidente
Helena e Jose não acreditam no acidente
Foto: David Santos Jr/ www.webventure.com.br
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Helena conta como começou o incêndio
Nada foi tirado do carro de Helena e Jose
Helena não se conforma com incêndio
Solidariedade de populares e pilotos à dupla
Helena Deyama e Joseane Koerich só têm a lamentar. A única dupla feminina no Rally dos Sertões 2009 sofreu duas grandes perdas na especial desta terça-feira (30). Helena não sabe qual foi a perda mais significativa, mas elas estão fora da prova e viram seu carro explodir, após um vazamento do combustível.

“Estou em choque até agora”, disse Helena, na manhã desta quarta-feira (01), ao Webventure. A piloto, que completa dez anos de off-road este ano, disse que elas já vinham com problemas mecânicos desde a segunda especial, e que estavam consertando todos, e seguindo confiantes no término da prova.

“Começamos a sentir um cheiro muito forte de álcool, lógico que isso é assustador, e eu já procurei um lugar para parar. Quando eu encostei o carro, a parte traseira toda, que nós não vemos graças a parede de fogo (que separa o taque de combustível extra do cockpit do piloto), da metade para trás estava completamente em chamas. Uma coisa impressionante”, contou Helena.

A explicação, por enquanto, é que o bocal do tanque de combustível se rompeu e começou a derramar. A dupla saiu para a especial com os dois tanques cheios, ou seja, corriam com 130 litros de álcool, e por isso saíram correndo ao ver o fogo, já que a explosão estava para acontecer.

“Não deu tempo de pegar nada de dentro do carro, nem o extintor, porque era muito risco eu tentar desprender o extintor de debaixo do banco, e nós saímos correndo. A Josi gritava ‘Fogo! Fogo! O carro vai explodir!’ e ficou tudo lá dentro, nossos documentos. Descemos só de macacão e capacete”, relembrou.

Solidariedade - A ajuda veio com os dois primeiros carros que vinham atrás delas, e que usaram todos os extintores que tinham consigo, porém nada era mais forte do que as chamas. “O fogo era incontrolável. Eu comecei a chorar, tive uma crise nervosa vendo aquele carro pegando fogo. E não é só isso. Eu não chorava só pela perda do carro, mas pelo abandono do rali. Nós estávamos muito determinadas, em segundo lugar na categoria. Uma dando força para a outra, sabíamos que venceríamos o areião. Tenho certeza. Estamos até agora sem entender o que houve. Alguma coisa aconteceu que não era para continuarmos, porque para ‘tirarem’ o nosso equipamento desta forma...”, avaliou Deyama.

Helena se chateia também pelo fato delas terem vencido todos os outros problemas mecânicos que tiveram, como o amortecedor, que as fez parar diversas vezes para reparos. “Nós arrastávamos o carro desde a segunda especial, mas estávamos confiantes”.

Além de perderem o carro, todos os equipamentos dele ficaram no fogo, e agora elas estão sem documentos, objetos pessoais, dinheiro. “O André (Chaco) nos adotou aqui porque estamos ‘sem lenço, sem documento ‘, sem um centavo no bolso. Perdemos todos os documentos, cartões, tênis, dinheiro celular. O que mais no tocou nisso é o lado humano. Perdeu-se tudo de material que estava conosco, mas as pessoas nos apoiaram muito. Assim que aconteceu, fora todos os competidores que pararam e tentaram apagar o fogo, surgiram pessoas que tentaram apagar o fogo e viram que eu estava muito nervosa, chorando, e abriram uma clareira no meio do mato para eu ficar na sombra. Fiquei muito impressionada com a solidariedade deles”.

O momento é delicado para a dupla, que apenas tenta esquecer os piores momentos e seguir adiante, mas a memória vai carregar sempre a cena que as tirou da prova e quase causou um problema maior para a vida delas. “Fico me perguntando o porquê disso. Eu e a Jose temos tanta fé em Deus, e tínhamos tanta certeza que íamos vencer este desafio e uma ‘coisa’, do nada, simplesmente pôs fogo no nosso carro e terminou com o nosso rali. Estou até agora achando que é um pesadelo. Não consigo acreditar”, disse Helena Deyama, abatida.


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