Parque Shuny é um dos melhores do mundo
Foto: Pedro Sena
Momentos de descontração na Vila
Foto: Manoela Penna/ www.webventure.com.br
Ainda há muito o que remar
Foto: Pedro Sena
Direto de Pequim - Nivalter Santos, 20 anos, 18 mil quilômetros remados. Um “carro semi-novo”, digamos assim. Com apenas três anos de canoagem, o primeiro representante brasileiro na história na canoa em Jogos Olímpicos ainda tem muito calo na mão para ganhar. Enquanto seus adversários têm bagagem de dez, doze, quinze anos de esporte (o que dá, por alto, quase cem mil quilômetros remados), o sergipano faz as contas para o próximo ciclo olímpico. Os próximos ciclos olímpicos, na verdade.
“Ele tem idade para estar nos Jogos de 2012, 2016, 2020 e, quem sabe, até 2024”, imagina seu treinador, Pedro Sena. “O auge de um atleta de canoagem é lá pelos seus 25, 26 anos. Nivalter tem um grande futuro. Ele competiu contra países de enorme tradição na canoagem, que competem todo fim de semana, e foi muito bem”, elogia Sena.
Nivalter participou das provas de C1 500m e C1 1000m na
raia olímpica de Shunyi, em meio a uma vasta plantação de arroz. É considerada por todos – atletas, técnicos e jornalistas – a mais bonita e perfeita raia para remo e canoagem do mundo. O brasileiro classificou-se para a semifinal nas duas modalidades, mas não avançou à final, terminando em sétimo em ambas as baterias.
“O objetivo era ganhar experiência, conhecer melhor os adversários, ir entrando no clima de uma Olimpíada. E sem responsabilidade de resultado, Nivalter conseguiu fazer bons tempos”, diz Sena.
Melhor tempo - O melhor tempo de Nivalter havia sido 1min50s9 na Polônia, no começo desse ano. Em sua especialidade (as provas curtas de 500m), Nilvalter marcou 1min51s3 em Pequim, em condições climáticas mais desfavoráveis do que na Polônia, mais quente e sem vento.
“Demorei um ano para baixar de dois minutos e agora meu objetivo é baixar da casa dos 50 segundos”, afirma o tímido Nivalter, que chegou a ficar em 6º lugar no ano passado em uma etapa de Copa do Mundo nos 200m e em 9º no Mundial nos 500m.
Em Pequim, o canoísta usou a prova dos mil metros para “esquentar” para a dos 500m. Suas parciais da primeira bóia estavam sempre entre as três mais velozes.
“A técnica do Nivalter permite que ele dê mais remadas e seja mais explosivo do que os outros”, explica o treinador. “Para ele, que é velocista, a prova de mil metros é quase uma maratona. Então optamos por fazer dela um treino para os 500m”, completa.